Terça-feira, 20 de Setembro de 2005
Quem não fica, directa ou indirectamente, afectado com o flagelo que nos vai assolando todos os anos e que causa tanta controvérsia durante os meses a que está afecto?
Estou, pois, como já perceberam, a falar dos fogos que vão ardendo o nosso país.

Para que tenhamos a consciência do que se passa para lá das câmaras dos media, e porque este blog também aborda assuntos de grande importância, como é o caso. Dou-vos agora a conhecer um artigo que me chegou ás mãos há momentos e que não quero deixar de partilhar com todos vós.

É no mínimo revoltante! Se não vejam.


“Um quartel de bombeiros que levou um ano inteiro a apostar na prevenção e sensibilização para a questão dos fogos florestais e que obteve resultados dessa mesma política foi fortemente penalizado em termos económicos por "não ter atingido as quotas necessárias de área ardida"! Foi dito ao seu comandante – homem de bem – pelas hierarquias "que não seria contemplado com fundos, por a área ardida não ter sido a suficiente".

Em conversa com o homem que respeita a Natureza fiquei deveras elucidado sobre quem lucra com o chamado "negócio dos fogos".

Combatia a sua corporação um incêndio que havia deflagrado, embora de pequena dimensão e que estava completamente controlado, quando é confrontado com o aparecimento de elementos de outras corporações que, sem haverem sido solicitados, se apresentaram no local "para ajudar a debelar o sinistro". Surpreso, questionou os outros comandantes. "Viemos dar uma ajuda. Pode começar por mandar abastecer os nossos carros, não se esqueça das refeições dos nossos homens e providencie alojamento para todos". Ainda tentou argumentar "que ninguém os havia chamado, que aquela deslocação de meios era desnecessária e que o abastecimento de combustível, refeições e alojamentos seriam da responsabilidade da corporação que comandava e que não via necessidade alguma em delapidar meios e dinheiro sem haver necessidade de tal".

Tentei entender toda a trama. "Meu caro" – disse-me – "infelizmente também muitos bombeiros lucram com este negócio". "Sabe porquê?" – questionou-me – "Porque um comandante deslocado da sua zona de intervenção tem uma remuneração diária de cerca de 100 euros, mais alimentação e alojamento". "O negócio dos incêndios também é lucrativo para alguns bombeiros. Não falo dos desgraçados que abnegadamente combatem efectivamente os incêndios. Falo dos superiores hierárquicos, que, para além do que lhe disse, nalguns casos ainda têm interesses em empresas que fornecem meios de combate a fogos, outros têm gasolineiras que abastecem as viaturas, etc."

"No fim" – continuou – "muitos ainda vão depois para Lisboa ganhar chorudos ordenados à custa daqueles que desinteressadamente defendem as florestas".

Se todos sabemos que as companhias que detêm os meios aéreos, alguns madeireiros, poucos pastores e muitos agentes imobiliários lucram com um país em chamas, não seria previsível que alguns bombeiros sem escrúpulos pudessem ser também atraídos para o crime ambiental e económico que todos os anos deixa a nossa floresta mais pobre. Ainda mais impensável é o incentivo dos governantes. Como explicar aos portugueses que ficaram na mais profunda miséria que uma corporação, que preveniu e apostou na sensibilização, é fortemente penalizada na atribuição de verbas por não ter atingido a "área ideal ardida"? "


Afinal, em que país vivemos nós? Prendem-se os doentes mentais e deixam-se os verdadeiros culpados na rua para que no próximo ano tudo se volte a repetir? Engana-se um povo com duvidosas estatísticas, que asseguram que apenas 20 por cento dos fogos são de origem criminosa?


Pensem nisto...


Até breve!


publicado por pjohnny às 13:09 | link do post | comentar | favorito

4 comentários:
De pluma(princesavirtual) a 22 de Setembro de 2005 às 09:57
Pois é... é este o nosso pais.Depois de ontem ter visto a Fátinha a candidatar-se á Câmara de Felgueiras, a ser ovacionada em apoteose á saida de judiciária...já acredito em tudo...



De Mr.Utopia a 22 de Setembro de 2005 às 01:02
A questão resolvia-se com duas medidas, uma das quais impossível, pelo facto do dinheiro necessário para a realizar ter sido desbaratado em submarinos, numa medida completamente desajustada da realidade em que vivemos todos os anos: Tinha-se investido a quantia em meios aéreos de combate ao fogo, o que por si só, para além de fomentar o combate real e fectivo aos incêndios, iria poupar o erário público (e os nossos bolsos por inerência) das quantias exorbitantes que são pagas às empresas privadas que detêm a capacidade aérea para tal, para além de retirar das mesmas a suspeição que são elas próprias, companhias privadas, a iniciar alguns fogos, por interesses económicos. E, com tantas pessoas presas neste Portugal, pessoas que almejam por um pouco de liberdade, nem que seja fictícia, não as poderiam colocar a fazer um trabalho de limpeza das florestas e afins? Its a win win situation. Para ver se começamos a ser notícia no estrangeiro por uma boa razão, para variar.


De Passo a 21 de Setembro de 2005 às 10:05
iup infelizmente é verdade, eu recordo qd era "bombeiro voluntario" la na santa terrinha assim q chegavam as outras coorperacoes comecavam logo a pedir tudo e mais alguma coisa e se n lhes davam pediam via radio e era tudo colocado na conta da "casa" ... enfim so vamos resolver o problema, infelizmente, qd n houver mais nada p arder :s .. q país de tanga este


De susana a 21 de Setembro de 2005 às 09:03
Eu já sabia que havia uns bombeiros pirómanos que gostavam de atear o fogo...mas n sabia que beneficiavam tanto com a situação...Estamos numa sociedade sem valores, ou melhor, só com o valor do dinheiro.


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